Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011

 

    Tiquetaque

    Tiquetaque

    Tiquetaque

    Eram quase quatro quando acordei. Ergui-me, quase que com pressa, lustrei os olhos, sacudi o cabelo.

    Tiquetaque

    Tiquetaque

    Tiquetaque

    Eram quase quatro quando acordei. Acordei atemorizado, julgo eu. Porquê? Não sei.

    Corri a janela e acendi o cigarro. A luz da janela da frente. Vida. Não estou só.

    E memórias do que não é solidão. Os cheiros de quem já fui. Sofro-os. Vejo sons. Vejo ruídos. Vejo vozes. Musicalidade de tempos presentemente remotos. Vejo-a e sorrio.

    Apaga-se a luz da janela. Apaga-se a vida. Sozinho.

    Tiquetaque

    Tiquetaque

    Tiquetaque

publicado por Observador às 21:04
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Quarta-feira, 27 de Julho de 2011

            A arte é um agente essencial nos dias de hoje. É, em grande parte, o factor responsável pela cultura das sociedades mundanas, desde todo o sempre.

            Pode surgir sob as mais variadas formas: literatura, cinema, música, pintura, teatro, entre tantas outras. O certo é que qualquer uma delas tem o poder de influenciar o nosso pensamento.

            A arte consegue só por si gerar novos universos e erguer impérios. Pego no exemplo da sétima arte, a arte cinematográfica, que é indubitavelmente uma das indústrias mais influentes da actualidade. Esta arte conseguiu tornar o distrito de Hollywood em sinónimo de cinema. O que antes era uma pequena localidade, atingiu proporções inimagináveis devido à indústria cinematográfica que lá se sediou. Actualmente Hollywood é parte importante da cultura dos E.U.A. e símbolo do seu poderoso cinema. A arte criou um império e reinventou uma cultura.

            A arte é a forma mais fácil de embutir ideais no ser humano. Quantos de nós já não nos sentimos afectados por um livro que lemos ou um filme que vimos? Quem acha que não, talvez nem o saiba. Um livro pode influenciar-nos, ao ponto de se enraizar na cultura de um povo.

Não há melhor exemplo disto do que os livros sagrados das religiões, como a Bíblia ou o Corão.  Apesar de não serem vistos como tal, as obras religiosas também são livros e obras de arte. A Bíblia exerce um poder fantástico sobre quase todo o mundo ocidental. Os seus ensinamentos estão de tal modo enraizados na nossa cultura, que esta obra tomou conta dos nossos ideais, medos e até do nosso calendário! Uma só obra, conseguiu criar festas, feriados, afectar a programação dos meios de comunicação e até criar profissões.

            Ainda que nunca pensemos nela, a arte afecta-nos profundamente. Dita a nossa maneira de vestir, a forma como pensamos, o nosso modo de vida! E estes, são na minha opinião, os dois maiores exemplos do poder da arte que conheço.

publicado por Observador às 00:08
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Quinta-feira, 23 de Junho de 2011

           

            A liberdade é um dos temas mais controversos de que há memória. Foram inúmeros os defensores da liberdade que passaram por este planeta. Desde William Wallace a Saraiva de Carvalho, até Jesus Cristo, ele mesmo, todos clamaram por liberdade. E ainda bem. Contudo, é importante balançar os contras da liberdade. Os prós, todos o fazem.

            A liberdade é uma agravante do aumento de criminalidade. Vejamos o que já aconteceu em inúmeros países onde caíram regimes ditatoriais. Temos exemplo disso Portugal pós-Salazar, Espanha pós-Franco, Itália pós-Mussolini. E nem é preciso estudar estatísticas para saber a veracidade desta questão. Apesar das inúmeras atrocidades que se cometem durante as ditaduras, este é um problema que nem o é, durante um governo ditatorial. O povo é educado sob leis severas e o medo sobrepõe-se a qualquer instinto.

            A liberdade facilita exponencialmente a partilha de conhecimento perigoso. É certo que se não fosse a liberdade, aliada à grande evolução tecnológica nos meios de comunicação, a partilha de conhecimento entre povos seria quase inexistente. Mas isto não diz só respeito a conhecimento de bons valores morais. Matérias muito perigosas também são partilhadas entre povos. Qualquer um de nós consegue colocar informação online, via internet, sobre quase tudo. Salvo certos países, o comum homem pode partilhar tudo com o mundo. Desde pedofilia, xenofobia ou construção de armas, somos livres de aceder a tudo.

            Tudo isto leva-nos a uma questão fundamental. Será a humanidade realmente livre?

            É dito que a liberdade de cada um, acaba onde começa a do próximo. A questão é que nunca ninguém ensinou o homem a delimitar a sua própria liberdade. Todo o homem é escravo do outro e dele mesmo.

            Já dizia Pessoa “A liberdade é a possibilidade de isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.”

publicado por Observador às 23:11
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Quinta-feira, 09 de Junho de 2011

            

            Olha olha, como já se amontoam os carros na estrada, como já gritam eles, eufóricos e danados, já se odeiam ainda mal se conhecem. São pessoas.

            Já aperta o calor e vêem todos à procura do mesmo, pobres coitados. Já aperta o calor e é calor que eles procuram.

            Olha o Dr. Joaquim António Gomes, olha o Dr. Nuno Santos Duarte, olha o Dr. Custódio Xavier Martins, um proprietário de uma imobiliária, outro contabilista e outro bancário, tanto doutor, nenhum doutorado. Tanto doutor exasperado para abrir a bolsa e comprar um pouco de algo que há em todo o lado, parecem loucos e enraivecidos para pagar Sol. Traz aí um gelado ao pai e compra um para ti filho, areia, nem vê-la, nem há toalhas, completam-se numa carpete, as gentes movem-se homogeneamente, respiram o mesmo ar, banham-se da mesma água, Ah povinho! o Algarve é um organismo vivo.

            E este sou eu, João Ninguém, Olha a bola de Berlim! Há com creme e sem creme! Também temos gelados minha senhora! Lá se vende mais um pouco de Sol este ano. Ali ao Dr. Manuel e à Dra. Maria já é o segundo ano que lhes vendo e ao Dr. Cesário então já nem te conto, há uns dez anos pelo menos. E lá vêm eles todos os anos comprar este Sol. Este ano talvez não comprem muito, as despesas apertam, mas vale a pena comprar do mesmo todos os anos.

            Ai o Algarve, o Algarve…

publicado por Observador às 00:01
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Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

 

           

            Já se fazia sentir aquele tudo-nada que antecede o nascer do sol.

            E ele levantou-se, depois de ter passado toda a noite acordado, percorreu os poucos metros que o separavam do mar e escolheu a duna mais alta. A areia fresca debaixo dos seus pés. Sorriu e sentou-se. Cheirava-se a alvura.

            Cravou as mãos no solo e cerrou-as. Sentiu a novidade de cada grão nos seus dedos. Fechou os olhos e deixou-se ser invadido por aquele prazer.

            Os primeiros raios de sol coloriram-lhe o rosto. O calor arrefecido da antemanhã.

            Assistiu sozinho a todo aquele espectáculo de chama e tinta, repetido toda a madrugada. O momento perfeito. O mais perfeito de todo o dia. O início.

            Ergueu-se e abriu os braços. Quis abraçar o mundo. O mundo novo, puro e incauto. O mundo cheio de promessas que nasce todos os dias.

publicado por Observador às 00:13
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2011

 

E à falta de luz

Ténue, penso; Sofro a abstinência

Deste não sei quê de ausência,

Que de todo não faz jus

Ao que muitos de mim vêem

E outros nem querem ou atingem.

 

Fingir, sentir, mentir, amar, temer!

 

Porquê?

 

E abato folhas e folhas

De pequenos cadernos de linhas

E consumo tinta de mil canetas

Não esperando que existam borrachas

Suficientes para tantos erros.

Que ódio de mim cometê-los.

 

Chorar, gritar, sofrer, gemer, esmurrar!

 

Porquê?

 

Por amor de Deus,

Deixem-me em paz!

publicado por Observador às 22:43
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Terça-feira, 12 de Abril de 2011

 

 

Caminha sempre para o desconhecido,

Ainda que o teu destino conheças.

Vive corajosamente. Não tomes por perdido

Aquilo que não começou. Jamais esqueças.

 

Planta e rega as tuas flores.

Um dia as colherás.

E se a geada as cobrir de horrores,

Um dia sob o sol resplendecerás.

 

Nunca deixes que te digam

Nunca. Nunca te arrependas

Do que fizeste, mas do que não

Fizeste. Fá-lo. Ainda que sem certezas.

 

O tempo não existe,

E o momento é agora.

E se embateres na dúvida, persiste.

Teima! Vive! Sorri! Chora!

 

E se um dia aceitares que é o teu fado,

Lembra-te que esta peça só tem um acto.

A vida é só uma.

Esta, e mais nenhuma.

publicado por Observador às 22:53
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Terça-feira, 29 de Março de 2011

 

Penso muito, mas pouco exteriorizo.

Pouco menos ainda é o que concretizo,

Daquilo que quero, resolvo e idealizo.

 

Tenho-me muito pouco em conta,

Ainda que diga que muito me tenho.

Quanto mais me quero, maior revolta

Sinto, porque antes de todos, é a mim que desdenho.

 

O tanto que de mim dou,

É o tudo que de mim tiram.

Poucos percebem do que sou

Feito. Pouco gosto que entendam…

 

Natural é a forma como me apaixono,

E risível a forma como me perco.

A parte que de mim demonstra afecto,

É a mesma que me mata, neste aperto.

 

Sei ser nada; Sei ser tudo.

E não sou nada do que quero…

 

 

publicado por Observador às 23:07
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Terça-feira, 22 de Março de 2011

E o céu chorava intensamente e ela e ele contavam-se histórias cobertos pela viatura.

É ali à frente disse ele, Não sei se ela lá está.

E ela segurou-lhe na mão e com os olhos errantes disse-lhe ela E tu estás aqui e respondeu ele com a mais profunda das certezas Pouco me importa agora. E caiu-lhe o manto que lhe cobria a face e a escuridão que lhe enroupava a alma, quis novamente.

E ela partiu e ele abraçou-a com tudo e toda a incerteza do mundo. Com o desejo de nunca a largar e com a verdade de o ter de fazer

Adeus disse ela, Adeus disse ele.

publicado por Observador às 19:40
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Quinta-feira, 17 de Março de 2011

 

Anda comigo, observemos o mar,

E falemos e cantemos e juras e carinhos troquemos,

E amemo-nos na areia que luz ao luar, E por fim, sob a chuva quente, descansemos.

 

Acordemos depois e de nós duvidemos,

Duvidemos de ti, duvidemos de mim,

Duvidemos do mundo e então por fim

Paremos, desistamos e pensemos e crescemos!

 

Não.

 

Tentemos o que não tentámos

E vivamos, ignorando que crescemos,

E apreciemos o que de mais belo visámos

E que por medo deste fado não fizemos.

 

Anda comigo e esquece o passado e o futuro

E esquece o presente, porque o tempo é só um,

Porque é por ti que eu vivo, e é a mim que censuro,

Porque és tu a razão de eu ser todos e nenhum,

E por isso vive! Vive e ama-me,

Porque é tudo o que peço e é tudo o que quero!

Ama-me!

É tudo o que espero…

publicado por Observador às 23:15
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a tua sorte é que eu compreendo-te! senão...
Eu não sou negativo. Sou demente mesmo!
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se eu já te conhecesse nesta altura... tinha-te da...
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se isto é veridico... god.
és mesmo negativo! eheheh mas até que gosto bastan...
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